O que é Especismo?

Especismo foi um termo criado por Richard Ryder em 1970. A palavra refere-se à crença amplamente sustentada que a espécie humana é por natureza superior às outras espécies e por isso tem direitos ou privilégios que são negados à outros animais sencientes. (Ver Painism[¹]). ‘Especismo’ também pode ser usado para descrever o comportamento opressivo, cruel, preconceituoso e discriminatório que são associados com tal crença. Em um sentido restrito, especismo pode se referir às crenças e comportamentos se eles forem baseados sobre as diferenças-entre-espécies sozinhas, como se a diferença fosse, em si mesma, uma justificativa.

Ryder usou o termo como um “despertar” necessário para desafiar a moralidade de tais práticas em que animais não-humanos estão sendo explorados em pesquisas, fazendas, domesticamente e na natureza, e ele conscientemente faz um paralelo com os termos racismo e sexismo. Ryder aponta que esse preconceito foi baseado sobre diferenças físicas que são moralmente irrelevantes. Ele sugere que a consequência moral do Darwinismo é que todos animais sencientes, incluindo humanos, precisam ter um status moral similar.

Especismo

Porque amamos uns e comemos outros?

No seu primeiro folheto publicado privadamente intitulado Especismo, Ryder faz uma série de perguntas retóricas:

Desde Darwin, cientistas concordam que não há uma diferença ‘mágica’ essencial entre humanos e outros animais, biologicamente falando. Porque, então, nós fazemos uma quase total distinção moral? Se todos organismo estão em um contínuo físico, então nós devemos também estar no mesmo contínuo moral.

A palavra ‘espécie’, como a palavra ‘raça’, não são precisamente definidas. Leões e tigres podem procriar. Sob condições laboratoriais específicas provou-se possível um cruzamento entre um gorila e um professor de biologia – deverá essa cria peluda ser mantida em uma jaula ou um berço?

É comum descrever o Homem de Neanderthal como uma espécie separada da nossa, um sobrevivente especialmente equipado da era glacial. Muitos arqueologistas hoje acreditam que esta criatura não-humana praticava rituais de enterro e possuíam um cérebro maior que o nosso. Supondo que o desaparecido Abominável Homem das Neves, quando encontrado, fosse o último sobrevivente da espécie Neanderthal; nós lhe daremos uma cadeira nas Nações Unidas (UN) ou nós vamos implantar eletrodos no seu cérebro super-humano?

Uma segunda edição de seu panfleto, ilustrado com o nome e endereço de David Wood incluso, foi distribuído nas faculdades da Universidade de Oxford onde foi visto pelo jovem filósofo australiano Peter Singer. Um pouco antes, a escritora Brigit Brophy, tendo lido algumas cartas de Ryder sobre o tratamento de animais publicado no Daily Telegraph ( em meados de 7 de abril e 3 de maio de 1969), apresentou Ryder para os filósofos de Orxford John Harris e Roslind e Stanley Gollancz que convidaram Ryder para contribuir com um capítulo em Animal Experimentation (Experimentação Animal) o que seria sua futura coleção de redações entitulada Animals, Men and Morals (Animais, Homens e Moral), publicado posteriormente por Gollancz em 1971. Nesta contribuição Ryder baseou sua objeção moral aos experimentos dolorosos com animais usando seu princípio de ‘especismo’. Este livro histórico foi posteriormente revisado por Peter Singer e que levou Richard Ryder a encontrar mais ideias sobre o tema. Singer convidou Ryder a compartilhar a autoria de seu futuro livro, Animal Liberation (Liberação Animal). Ryder recusou, mas deu muito material de pesquisa à Singer que já haviam sido utilizados por Ryder em seu livro Victims of Science (Vítimas da Ciência 1975). Peter Singer tem frequentemente atribuído seu legado à Ryder pelo termo especismo que Singer, como um utilitarista, usou com maestria. O termo está hoje em vários dicionários de língua inglesa e é muito usado por filósofos.

Ryder argumenta que não há absolutamente nenhuma barreira entre especies e aqueles animais transgênicos e que conhecidas “quimeras” contém os genes de muitas espécies. Como nós vamos tratar hominídeos de uma diferente espécie caso surja uma, ele pergunta, ou alienígenas de outro planeta? Este último possivelmente será mais inteligente, autônomo e de uma espécie diferente, mas deverá inteligencia ou autonomia ou espécie afetar o status moral? Sofrimento, certamente é uma característica fundamental. (Ver Painism[¹])

Acima de tudo, Ryder e outros anti-especistas tem desafiado a usual suposição Judaico/Cristã das sociedades Ocidentais que o ser humano tem um status semi-divino. “Eu nunca ouvi ainda”, diz Ryder, “nenhum argumento racional que sustente o especismo – com exceção, é claro, apenas por interesse consanguíneo próprio.”

Ryder se tornou um lider defensor da proteção animal, modernizando a Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA – Sociedade Real para a Prevenção da Crueldade aos Animais) como Presidente, e ajudando a colocar animais na política internacional. Ele também se tornou Diretor do Political Animal Lobby, fundador do Eurogroup For Animals e primeiro presidente do Liberal Democrats Animal Welfare Group. Ryder faz referência ao especismo em todos seus escritos. (Ver ‘Animal Revolution: Changing Attitudes Towards Speciesism, Basil Blackwell, 1989, edição revisada Berg, Orxford, 2000; The Political Animal: The Conquest of Speciesism, McFarland, 1998 e Putting Morality Back into Politics, Imprint Academic, 2006). Para um amplo conhecimento da ética de Ryder veja Painism: A Modern Morality, Opengate Press, 2001.

[¹] Painism = A tradução para Pain seria dor ou sofrimento, que fazendo uma adaptação do termo ficaria algo como Dorismo ou Sofrimentismo. Painismo é o princípio que embasa a ética de Ryder. Ele argumenta que qualquer indivíduo, humano ou não, capaz de experienciar a dor ou sofrimento, possui direitos morais.

Tradução por Planeta Ideal Floripa (Beto Jász) do texto contido no site de Richard Ryder, criador do termo Especismo.

http://www.richardryder.co.uk/speciesism.html

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One response to this post.

  1. […] É importante notar que a WSPA considera plausível a idéia de matar “animais felizes” e que por conta deste ponto de vista tem sido criticada por uma série de protetores dos animais. (Leia sobre “Especismo“) […]

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