O que é veganismo?

Há muitas formas de se compreender o veganismo, trago aqui um ponto de vista coerente dentro desse campo de opiniões.

Veganismo é o reconhecimento que animais não humanos são seres capazes de perceber, sentir e pensar sobre o mundo e portanto possuem diretos.

1) A ética que define a proteção dos animais orienta-se por concluir que “é moralmente errado causar sofrimento ou morte animal por razões de prazer, diversão ou comodismo”.

2) Outro ponto ético se relaciona com a compreensão que seres sencientes tem vontade própria, raciocinam e portanto não são propriedade de ninguém assim como nós humanos não somos propriedade particular de determinada pessoa.

3) É preciso reconhecer que os nutricionistas da atualidade já descobriram que a alimentação baseada em animais não é uma necessidade e sim uma opção. O vegano não se alimenta de produtos de origem animal porque entende que esta prática é apenas por prazer e/ou comodismo.

Se vou comer um animal porque é gostoso, estou indo contra ética por matar e causar sofrimento pelo meu prazer.
Se vou usar um animal num rodeio estou indo contra a ética por usar o animal para minha diversão.
Se vou comprar um hambúrguer de carne de vaca no mercado porque não encontro produtos sem animais estou indo contra a ética pelo comodismo.

E como consequência da ética fica também excluso a condição do animal como produto a ser comercializado ou tratado como objeto por reconhecer que estas práticas compreendem o animal como não dotado de individualidade, inteligência e capacidade de perceber o mundo.

4) Junto à razão ética surgem outros pontos: a saúde e o meio ambiente. Uma vez que o vegano compreenda o direito dos animais, pode estender sua ética à estes dois grandes pontos também.

Porém não há veganismo quando não há ética animal.

Quem defende apenas o meio ambiente, ao reencontrar sua sustentabilidade que hoje está ameaçada pelos grandes rebanhos, voltará a comer carne.
Assim como quem defende apenas a saúde, quando encontrar uma forma saudável de viver com alimentos de origem animal, voltará a utilizá-los como produtos.
Sem falar que nem por saúde, nem pelo meio ambiente fica excluído a exploração do animal como produto, mercadoria ou objeto. Sendo ainda possível a utilização dos mesmos em testes, como vestimenta, etc.

Somente o argumento ético como base faz com que a pessoa seja vegana de fato e possa então se beneficiar da saúde e do meio ambiente como complementos relevantes ao veganismo em si.

É bom apontar que frequentemente a tentativa de falar sobre o ambientalismo e a saúde como razões para aproximar as pessoas do veganismo tem sido tomadas como estratégia para maior divulgação das idéias veganas, sobretudo para habituar as pessoas à vida sem exploração animal, reduzindo o impacto da conscientização maior que é a causa animal.

Por conta dessa estratégia, o conceito de veganismo fica muitas vezes mais amplo, muitas vezes definido como: quem não consome produtos de origem animal. Este conceito é amplo porque ele permite que o ambientalista e o dietético sejam veganos, uma vez que eles podem parar de consumir produtos animais mesmo que não reconheçam que os animais necessitam ter Direitos por conta de sua individualidade. Porém, esta extensão pode ser parte estratégica da campanha, mas não parte do conceito.

5) Defender a causa animal não significa opor-se aos seres humanos, também animais, mas ao invés disso, obter a harmonia entre seres humanos e não-humanos em um planeta compartilhado por tantas formas de vida.

6) Outro ponto importante é em relação à defesa de um tipo de alimentação. O Vegano não defende um tipo de alimentação específico, mas sim a ética e a saúde. Se pensarmos na nossa alimentação como tudo que nos faz estar vivos: “comemos” gases ao respirar, produzimos vitaminas no próprio corpo, consumimos minerais como o sal e também podemos nos alimentar, por sermos onívoros, de animais e vegetais. Porém, não há obrigação do vegano ver o vegetal como “a alimentação correta” em oposição à carne. Devemos como veganos defender a saúde e a ética animal. Isso significa que conforme a tecnologia for se desenvolvendo, descobriremos novas formas de alimentação que dispensem a morte de qualquer ser vivo. Isso pode parecer futurista demais, porém está aqui dito apenas para lembrarmos de não defender os vegetais como alimentação correta em si mesma.

7) O veganismo também se apoia no conceito jainista de não-violência. Ele compreende que em algum momento algum dano será causado inevitavelmente. Uma bactéria que morre em nosso intestino, organismos que respiramos. O foco é na paz e no aprendizado que encontre saídas para estas questões.

Por Roberto de Andrade (Planeta Ideal Floripa)

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