Alimentação Baseada em Seres Vivos

Gostaria primeiramente de deixar bem claro que agora falarei da minha opinião pessoal e não do ponto de vista vegano. Antes que saiam dizendo “o veganismo” diz isso ou aquilo, que fique claro, que Eu que sou vegano penso isso, e que só fui pensar isso por ser vegano, mas que isso não expressa a opinião dos veganos em geral nem do veganismo. OK!? Preciso falar mais uma vez!? Então vamos lá!

Quanto mais tempo passa, mais claras as coisas ficam a ponto de perceber que anterior à discussão de se os animais são sencientes há algo mais amplo: a alimentação baseada em seres vivos!

A princípio, se tentarmos definir o que é vida vamos chegar à becos sem saídas, conceitos ora muito abrangentes, ora muito restritivos e nenhum coerente. Então utilizarei um conceito de vida que não é nada ortodoxo mas que faz todo o sentido. Copiando a frase da Cecília Meireles que diz que “…Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”… então eu digo o mesmo da vida, impossível explicar e fácil de entender. Então pense você mesmo o que considera vida e com essa salada do que você pensou com o que eu vou dizer talvez surja alguma coisa. Mas aviso desde já que há seres humanos pensantes discordam dessa separação de morto e vivo, e consideram que toda existência está viva. Eu particularmente concordo com este ponto de vista, mas vou fingir que acredito na separação entre vida e morte apenas para ser compreendido. Então lá vai, daqui para a frente, o texto é dualista, ou seja, dividido entre mortos e vivos:

Primeiramente, gostaria de lembrar que nossa alimentação não é toda baseada em seres vivos. O sal por exemplo é um mineral extraído direto da natureza. E também precisamos perceber que o “ar” que respiramos, apesar de não o “engolirmos” e mastigarmos, ele é essencial à “nutrição” do nosso sistema vital. Então primeiro de tudo, não somos 100% filhos de coisas mortas. Algumas são elementos simples da natureza.

E em segundo lugar que como seres humanos temos a habilidade de interpretar o que os outros sentem e mais do que isso, temos a capacidade de nos identificar com seu sofrimento. Então podemos ver um ser vivo com fome, compreender que ele está com fome e ao sentir vontade de ajudar. Isto significa que nos identificamos com ele ou porque entendemos que ele está sofrendo, ou porque entendemos que todo ser vivo deve comer, ou sabe-se lá mais quantos porquês possíveis! Simplesmente tomamos uma atitude diante dessa compreensão.

Expandindo esta interpretação sobre os outros surge então a primeira questão: o sofrimento humano acerca da morte. Morrer é algo que incomoda nós que somos vivos. Morrer é uma questão que tanta gente já tentou explicar mas que poucos se atrevem a morrer para conferir se é verdade. Há interpretações sobre a morte positivas, há outras negativas. O suicídio também é polêmico. Não há consenso sobre o que é a vida e a morte e nesta multidão de opiniões que se encontra a alimentação.

Matar para viver.

Esta frase é difícil de se conceber. No geral nem nos damos conta mais que matamos plantas e animais para nos mantermos vivos. Já esquecemos desta questão incômoda mas que volta e meia surge em nossas casas. Não raro as crianças, em qualquer tipo de residência, ficarem sem comer carne depois que ficam sabendo que a vaca foi morta. Também há nas crianças o desejo de matar os animais, principalmente formigas e insetos. Mas de qualquer forma a morte e a vida chama a atenção.

A vida trás em si um interesse pelo que é vivo. E aqueles que se magoam com os vivos, desenvolvem um contra-interesse pelo que não vive. Ainda lembro sobre algo que li uma destas pesquisas sem pé nem cabeça que fazem que uma cabra tinha ficado em um quarto sozinha com uma televisão ligada sem sintonia, ou seja, apenas aquele chuvisco. E segundo a pesquisa que não me lembro a razão, a cabra permanecia a maior parte do tempo junto à TV.

Enfim, há algo estranho dentro de nós que percebe algo ainda mais estranho fora de nós e que atrai nossa atenção.

Essa atração é tão grande e tão intensa que é simplesmente impossível uma sociedade com o nível de inteligencia como a nossa passar diante a morte do que come sem dar nenhum sinal de qualquer coisa que seja.

Seja para dizer que seres vivos tem mesmo que morrer, seja para dizer que não gostam de seres vivos mortos e todas as outras possibilidades.

Mais louco ainda é pensar nas consequências da morte. Quanto maior o ser vivo, mais come, mais assassino.

Por mais que estejamos a acostumados a comer outros seres, nós sempre olharemos aquela vida em nossas mãos.

Podemos particularizar um ser quando damos valor afetivo pessoal o fazendo ser único em todo o universo. Também podemos entender que diante de um universo tão grande somos tão pequenos que somos desprezíveis.

E entre essa total importância e total desprezo reside nossa consciência do matar o que comemos. Porque algumas pessoas compreendem que se alimentar do vivo é símbolo de vida a se comemorar e outros que morte é tristeza a se chorar.

Um entende que só vemos beleza ao matar um animal porque não eramos nós o animal morto, o outro diz que toda vida que há na terra hoje segue um ciclo que se equilibra e se sustenta através da vida e morte.

E como encontrar uma resposta inequívoca sobre a vida e a morte, se esta é para nós um enigma? Podemos nos precaver decidindo não matar nada, podemos nos arriscar a acreditar que a vida não é nada além de pedaços de carne e matar sem piedade.

Particularmente sou um ignorante assumido sobre o que é estar vivo. Não acredito em nenhuma teoria religiosa ou não sobre o que é vivo. Sei apenas que sinto estar vivo, sinto ter uma força, sinto ter opinião, sinto ter minha vontade.

Sei apenas que reconheço essa mesma força que há em mim em tudo que consideramos vivo. Sei que esta força é idêntica por mais que tenham aparências e formas tão distintas.

E quando estou diante de um ser, por mais simples que seja, por mais que eu consiga entender a desimportância de sua vida e a pobreza de complexidade, e que fique claro, desimportancia e pobreza para mim, não para ele, por mais que sinta isso, sei que a força que dá vida à ele é a mesma da minha, e respeito como se fosse a mim mesmo. Por ter consciência da falta de explicação do que me faz vivo, sei que a mesma falta de explicação reside no que faz qualquer ser vivo.

Imagino que um dia possamos entender esta força que é sentir ter um corpo, uma opinião, uma aparência, uma voz, olhos que veem e explicam as coisas… um dia saberemos sem que nos precise sem ensinado o que é “isso”.

Por Roberto de Andrade (Planeta Ideal Floripa)

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