Animais Legais

Recentemente descobri que existe uma terceira classe animais existente entre nós. Do que estou falando?

Tudo começa quando muitos de nós muito bem sabidamente nos damos conta que existem os “seres humanos” e os animais. Existe no dia-a-dia uma forma de nos referir como a parte de todo o planeta, como donos, como razão do universo existir e coisas semelhantes.

Mas há uma terceira classe que todo vegano conhece bem. Alguns chamam de cachorristas ou gatistas mas aqui vou chamar de Animais Legais. Porque legais? Não é por nenhuma causa jurídica, mas sim porque eles são “legais”, são divertidos.

O animal legal é aquele que além de viver a sua vida, interage com a nossa. É o típico animal que nos trabalhos com pessoas deprimidas ou tristes por estarem doentes, é dito que o “contato com os animais” ajuda a melhorar o humor das pessoas. E é verdade. Os animais legais, aqueles cachorros gente boa, gatos simpáticos nos fazem rever certas atitudes “depressivas” e também quando estamos sendo mesquinhos. Quando você vê um cachorro fazendo uma festa só porque o “dono” chegou em casa, isso nos faz pensar que temos aquela alegria dentro de nós mesmos e deveríamos ser mais “simples”, mais como os animais (legais).

Algumas pessoas vão dizer que usar animais em terapias é especismo porque coloca o animal como utilidade humana. Outros vão defender que o animal também é beneficiado, mas esta questão não vou abordar. Pretendo sim lembrar da terceira classe de animais. Esses sim os “animais” que juntam de norte a sul todo tipo de “bixo” não humano. Aqueles que não suprem nenhuma carência humana, aqueles que não ligam que os seres humanos existem, aqueles que inclusive causam medo por oferecerem risco à nossa saúde, à nossa vida.

Essa terceira classe, a qual incluem-se as vacas, porcos e galinhas, animais que não ganharam a fama de socializar entre as pessoas, essa sim tem sido alvo do vegano. São aqueles animais que não estão em extinção, que estão nos laboratórios e que são vidas comuns, são apenas seres vivos.

E qual é o problema dessa terceira classe de animais? Bom, é justamente dela que NÃO estamos falando nos projetos de bem-estar animal. Justamente por não ser dela que estamos falando, quem as palavras “BEM-ESTAR” vem costumeiramente juntas desse tipo de protestos que falam exclusivamente, ou infinitamente mais, de cães e gatos.

Se fizéssemos igual a nós seres humanos que classificamos os ricos como CLASSE A e os pobres como CLASSE E e F, os animais legais seriam a elite zoológica. Ainda lembro uma mulher num restaurante que pediu dois lanches para comer. Quando os lanches chegaram, ela puxou uma cadeira “extra”, chamou sua poodle e a cadelinha educadamente saboreou seu hambúrguer sentadinha bonitinha. É realmente bacana quando conseguimos ver num animal, como essa mulher viu, que ele é como nós humanos e merece o mesmo respeito. Mas não é nada bacana entender que a vida da vaquinha, animal CLASSE E deve ser hambúrguer. Bem estar para um animal CLASSE A é caminha, pasta de dente, carinho, veterinário. Bem estar para um animal classe E é ração, pasto e água para que morra forte e saudável antes de ir para as prateleiras dos mercados.

Qual é o nível de explicação que damos para isso? Porque alimentamos nossos animais com a morte de outros animais?

Certa vez vendo na internet tinha um videozinho de um cachorro que ficou preso debaixo de uma banca de jornal e o vídeo era chato e extenso, sem edição nem nada, mas vi até o fim. Era um cãozinho que estava literalmente morrendo de fome e pelas pessoas do vídeo sequer dava para entender como ele conseguiu entrar ali debaixo, ou se foi colocado por alguém, ou se cresceu lá dentro. Moral da história, quando depois de muito tentar tirar o animal, de quebrar os tijolos da banca de jornal e ver o animalzinho todo arrebentado e magrelo quase que sem conseguir se mover alguém percebe que “ele precisa de carne”, “comprem carne”. Isso se junta ao fato de ele não ter comido ração, que também tem carne. Nisso após alguns minutos aparece a tal “carne” e o animalzinho encontra finalmente algo que valha a pena viver e come aquela carne, ainda com certa dificuldade, mas agradecido. É uma cena emocionante. Realmente o animal é CLASSE A, ele nos comove, ele vai no fundo dos nossos sentimentos. A carne que ele come é só um pedaço de comida de um animal CLASSE E, que já está tão distante daquela cena que nem lembramos do seu rostinho ao ser morta em um abatedouro. Um olhar triste como de qualquer ser vivo, e diferentemente do animalzinho “salvo”, a vaquinha morreu. A ideia das pessoas que filmaram o vídeo era mostrar que eles salvaram um cachorro. Mas a minha ideia ao escrever esta história é lembrar que uma vaca morreu para servir de carne ao cãozinho e então perguntar: Afinal, quem foi salvo?

Insanidade aos doutos, inteligência para poucos.

Beto do Planeta Ideal

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