Animais para conviver, não para comer.

A existência de todo ser vivo é um eterno aprendizado, a cada dia vamos ampliando nossa forma de ver. Às vezes estamos na cozinha e comemos tudo que está na mesa. Porém depois surge alguém dizendo que comemos tudo e não sobrou nada. Neste momento temos que ampliar nossa visão de mundo e perceber que não estamos sozinhos e que é preciso ampliar nossa compreensão do mundo.

Neste sentido a nossa compreensão do mundo vem se modificando e fica um breve resumo da nossa consciência acerca de nós e dos seres vivos.

Estamos num planeta formado de matéria, átomos e coisas que talvez nem saibamos que existe. De alguma maneira o que hoje conhecemos como pedras, plantas, animais e seres humanos são feitos dessas coisas. Não se sabe exatamente quando surgiram ou o porque dessas coisas existirem. Alguns dizem que tudo foi criado, outros que tudo se criou sozinho. Mas seja qual for a resposta, o fato é que os seres começaram a se relacionar para permanecer “vivos”. Seja lá o que signifique a palavra estar “vivo”.

Nós então, humanos, começamos a dividir as coisas que estão vivas e as que não estão. Então hoje sabemos que uma pedra não está viva e que uma planta ou um animal está. Nisso percebemos que precisamos viver e que para permanecermos vivos precisamos de energia e isso significa que iremos, entre outras coisas, comer.

Sabe-se lá porque os elementos da natureza se organizaram e formaram organismos complexos. Desta forma os organismos precisam renovar sua energia trocando suas “baterias”. É nessa hora que conseguimos oxigênio, ferro, aminoácidos e todo tipo de material que mantém a vida.

Nem tudo que comemos está vivo. O sal é um exemplo clássico de algo que não é um animal, nem um vegetal. É um mineral. E nem tudo que precisamos para viver é comida, por exemplo, o ar. Mas em algum instante da “vida”, as criaturas vivas começaram a se alimentar umas das outras. E este modelo de alimentação é o que vivemos hoje.

A princípio, quando as coisas vivas começaram a comer umas as outras, tudo indica que elas não tinham consciência de que estavam fazendo isso. E iam nascendo e matando sem se preocupar.

Mas como disse acima, o tempo vai ampliando nossa consciência e vamos atingindo outras compreensões do mundo que nos obrigam a mudar a forma de pensar.

Neste paradigma de comedores de outros seres há várias formas de encarar o que é comido. Uma planta carnívora provavelmente não fica filosofando sobre os insetos que caem em suas armadilhas. Porém quando estas questões sobre alimentação chegam aos animais grandes a coisa muda um pouco.

Os animais grandes começam a criar vínculos com outros animais e eles passam a tomar atitudes morais em relação aos seus companheiros. É estranho, mas é real, mesmo os leões tem uma ética. Isso me lembra uma colega que ao realizar um resgate de animais em uma tragédia no Rio de Janeiro, ao buscar um cachorro em um local de difícil acesso, ela descobre que o cão estava deitado sobre o “dono” que estava morto.

Seres de puro instinto, comedores compulsivos de carne não fariam distinção entre um pedaço de carne e um “dono”. Ele comeria qualquer carne que estivesse em sua frente. Porém macacos, cães, leões e grande parte dos animais grandes não se alimenta dos animais que consideram “amigo”, “parte do grupo”, ainda que este animal não seja da sua espécie.

Por estranho que pareça, nós animais, temos uma capacidade de ajudar quem quer que seja. Podemos ajudar um mosquitinho a sair pela janela, um cachorro que está com fome, etc. E este sentimento que temos pelos outros seres vivos nos coloca em uma contradição. Por um lado somos seres que comem outros seres e por outro lado aprendemos a sentir o que eles sentem, viver com eles.

É nesta contradição emocional que surgem as formas de justificar porque comer ou não animais. Pretendo então comentar algumas idéias mais gerais sobre os animais e sobre nós humanos. Lá vai:

É verdadeiro afirmar que gatos nasceram para comer ratos? Que leões nasceram para comer homens? Como se estivesse na genética dos mesmos agir eternamente de acordo com um programa que está em seus genes?

É interessante notar que no comportamento dos animais como gatos, leões, existem dois comportamentos que se combinam e formam o que foi considerado instinto de caçar. Gatos por exemplo adoram brincar com coisas que se “mexem” desde muito pequenos. E suas mamães gatas que caçam para seus filhotes e eles aprendem a comer. É interessante ver que de início os filhotes de gato como de leão “brincam” com o que será no futuro sua caça. Então o gatinho filhote com frequência quando encontra um camundongo no jardim “brinca” um tempão jogando o “ratinho” para cima e para baixo mas não come. Comer o “ratinho” será uma ação separada de caçar que irá surgir quando ele estiver mais velho.

Se um humano estiver por perto e repreender o gato por “brincar” com o ratinho ou não permitir que o gato o “morda” o camundongo, estes dois animais poderão ser amigos para toda a vida. E mesmo quando um deles morrer, o outro não o comerá, ainda que o gato em questão se alimente de outros tipos de carne.

Por outro lado, se os dois animais forem apresentados depois de grande, eles podem ser eternos rivais os quais a muito custo será possível torná-los “amigos”. Este tipo de “rigidez” de comportamento após a velhice é típico da nossa espécie também. Pessoas mais velhas podem mudar de opinião como qualquer pessoa, porém frequentemente dizem “estou velho demais para mudar” ou coisas parecidas. Algumas pessoas aprendem a mudar e terão o hábito de “manter a mente aberta” até o último dia da vida. Isso significa que temos a capacidade de mudar ainda que nem sempre mudemos.

Os animais também nos ensinam muitas coisas. Algumas vezes pensamos que podemos ser como as formigas que são trabalhadoras, que podemos ser como a águia que é guerreira, fortes como cavalos. Isso significa que os seres vivos todos influenciam uns aos outros. Inclusive na hora de comer. Quando vemos animais se alimentando de outros animais isso tem um impacto forte em nossas vidas. Eles nos ensinam que devemos comer outros animais. Essa observação do mundo animal nos faz pensar também que a natureza é “neutra” ou que é “cruel”. Isso nos ensina duras lições sobre o mundo. E estes exemplos de aceitação da “realidade” confirmam nossa ação de comer animais.

Precisamos também lembrar que estes aprendizados sobre a natureza são por nós utilizados de forma conveniente. Quando algum animal faz algo que nos interessa dizemos: Se o leão faz eu também faço. Mas quando tentamos usar os animais como exemplo para nossas atitudes não queremos dormir no chão debaixo de uma árvore, nem morar em cavernas. Isso significa que por mais que os animais nos incitem idéias na mente, nunca as seguimos totalmente, só apenas o que convém. E mais do que isso, por mais que eles nos deem muitas idéias, nós somos outros seres. Não precisamos nos guiar baseado no que os outros fazem. Nós desenvolvemos a nossa inteligência para que possamos agir conforme o que faz sentido e não com base no que os outros estão fazendo. E isso significa que devemos tomar nossas idéias de fazer o que os animais fazem com muita cautela.

Outra ideia interessante está em dizer que as coisas sempre foram assim e logo irão continuar sendo. Ou seja, seres vivos sempre comeram outros seres vivos e isto é assim e ponto final. Quando pensamos evolutivamente, dizemos que seguimos uma linhagem que partiu do mar como algas e seres da água que foram se adaptando para a terra e depois para o ar. Isso significa que a maior característica de um ser que já foi unicelular e que hoje é uma diversidade como animais que nadam, voam e todo o mais, tem na sua base a mudança. Mudança de forma, de hábito, de pensamento, de universo. Espécies de macacos comparadas umas com as outras podem ser parecidas na forma peluda, no jeito de andar, mas tem formas de pensar e se organizar muito diferentes. E dessa sequência de mudanças somos parte. A inteligência para modificar nosso ambiente é a nossa maior capacidade frente à todos outros animais. É essa conquista que faz com que muitos de nós nem se lembrem mais que somos animais. Somos uma geração de animais com a capacidade de pensar o que é bom para nós mesmos e mais do que isso, temos a capacidade de aprender sobre os outros animais e ampliar esse conhecimento de forma fantástica.

O homem e o leão

O homem e o leão

Com estas reflexões começamos então a entrar num novo mundo, em um mundo em que aprendemos com novas informações sobre seres humanos e não humanos.

O que vamos criar daqui para frente? Até quando os seres vivos se alimentarão de outros seres vivos sejam eles animais, plantas ou o que quer que seja?

Nós precisamos também lembrar que não somos seres que defendem a morte dos animais. Por mais que alguém ache insuportável viver sem carne ela não está defendendo a morte dos animais. Se a carne fosse como uma pedra e não fosse preciso matar um animal as pessoas comeriam a pedra-carne.

O maior desafio que surge na nossa história é conseguir revisar o passado e reconstruir o mundo. O passado que foi construído não foi preparado para mudanças. Ele é como uma grande avalanche que vem empurrando tudo. Porém é hora de refazer a história e dar mais flexibilidade para as pessoas que vivem no mundo. Viver em uma nova nação que compreende todos os seres vivos ou não como amigos. Que procure as igualdades e não mais as diferenças. E que diante das diferenças veja nelas algo positivo e não uma razão para dominar, destruir ou guerrear.

É isso

Beto do Planeta Ideal

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