Ativismo pelo Direito de Todos

Desde que me tornei vegano participei de algumas ações em diversos formatos, conversei com muita gente, discuti teorias veganas e estava procurando um caminho que me representasse, que fosse um pouco de mim e não um estereótipo de ativista, nem um modelo pronto a ser seguido.

Neste sentido fui criticado por uns, aceito por outros, mas de uma forma simples apresento minha ideia de ativismo que pretendo seguir daqui em diante.

A começar ampliei a ideia de Direito dos Animais para Direito de Todos. Isso significa direito de animais, plantas, minerais e o que mais que seja. Fui criticado neste ponto porque dizem que não temos um dever moral pelas coisas que não tem sistema nervoso. Eu sinto dentro de mim um dever moral por todas as coisas e sei que isso parece ser loucura, mas não é. Sou um ser formado pelos mesmo elementos de todo o universo e isso me faz igual às pedras e estrelas do cosmo. Eu honestamente não me importo com quem acha que sou louco e estou viajando na maionese. Neste sentido algumas pessoas podem recusar a seguir este tipo de ativismo. Na verdade o Direito de Todos abarca qualquer outro tipo de ativismo e isso me faz, e faz os que assim também pensam, parceiros de qualquer outro tipo de ativismo que luta por Direitos seja vegano ou não.

O segundo item do que penso vem a ser o que alguns chamam de “níveis de consciência”. Chame como quiser, porém o significado é que há muitas coisas que nós podemos lutar nas questões dos direitos, e agora como estou escrevendo para um site sobre veganismo, falando especificamente da causa animal, creio que todos podemos ampliar nossa “quantidade” de ajuda aos animais. Alguns podem encerrar a exploração se tornando veganos, outros ovo-lactos, outros vão reduzir a carne do prato, outros vão parar com pesquisas na universidade, outros soltarão seus passarinhos da gaiola e vamos supor que numa lista de 100 coisas para se fazer, se cada um puder retirar um item dessa lista é um ganho. Neste sentido serei criticado por muitos. Alguns podem dizer que as pessoas vão se acomodar no que lhe for mais agradável e não chegarão finalmente à abolição. E realmente acredito que isso possa acontecer. Então, em uma forma infantil e otimista da minha parte, acredito que como ativista cabe a nós lembrarmos sempre as pessoas a darem novos passos e nunca se conformarem em parar a caminhada.

O terceiro item é que apoio todo tipo de ativismo. Tem pessoas que são do movimento punk, outras feministas, outros biólogos e cada um tem uma forma diferente de ver a causa vegana. Alguns vão invadir laboratórios e soltar animais, outros vão mostrar filmes de animais sendo mortos nas ruas, outros vão panfletar em seus bairros, outros vão apenas mudar a alimentação, etc. Todo ativismo tem um “ativista” e a forma de ativismo de cada um está instintivamente amarrada à cada pessoa, à cada personalidade, à cada compreensão da realidade. A forma que acredito ser a que mais se aproxima de como eu sou é pacifica e bem diferente de tudo que já vi. Alguns vão dizer que isso não é ativismo, que é ativismo de facebook e todo tipo de crítica que aceito de coração aberto. De fato passo mais tempo falando de veganismo na internet que nas ruas. E faço mais imagens de photoshop que qualquer outra coisa. Mas minha forma de ativismo não é com fotos de vacas mortas, nem com invasões à laboratórios, nem nada assim. Pretendo despertar nas pessoas uma nova forma de ver os animais, mostrando que vacas, porcos, galinhas e todo tipo de animal é inteligente, tem emoções e para isso meu ativismo de rua não terá fotos deflagrando os abatedouros e seus métodos cruéis mas sim mostrando os animais na sua natureza, na interação que eles possuem e buscar sensibilizar as pessoas para que vejam o quão importante é reconhecer nos animais os mesmos direitos que reconhecemos em nós humanos. As criticas sempre surgem quando falo sobre isso. Entendo que o ser humano quando começa ampliar seu conhecimento sobre os animais, como consequência ele desperta em si a empatia, coloca-se no lugar do animal e compreende que ele está vivo e presente e tem direitos. Em algum momento surgirá então a hora de ver algum filme mais firme como “terráqueos” para descobrir o véu que nos foi colocado desde criança.

Alguns pontos chave:

Que as pessoas se lembrem que churrasco é uma festa para humanos e um sofrimento para os animais.
Que os homens percebam que os animais nas fazendas tem sido tratado como objetos e com finalidade comercial.
Que os pássaros nas gaiolas não estão felizes.
Que ração de cães e gatos não podem ser feitas de vacas, bois, frango, peixes, frutos do mar, etc
Que animais não são soluções para quem quer ter filhos, está carente, brinquedo para os filhos, motivação para criar responsabilidade, mas que são vidas como as nossas e devem ser vistas com respeito
Que castração de animais engana mais não resolve o problema do abandono
Que animais não são diversão em circos, rodeios, zoológicos, farra do boi, puxada de cavalo, etc
Que antes de matar formigas e baratas com veneno podemos manter nossas casas limpas.
Que não devemos fazer cruzamentos entre animais para selecionar os mais bonitos, mais gordos, etc.
Que nossa alimentação se baseia na morte de muitos seres e que isso é relevante para aquele que morre.
Que nossa alimentação se baseia no sofrimento de muitos seres e que isso é relevante para aquele que sofre.
Que são os humanos os animais que devemos fazer pesquisas.
Etc.

Há muitas outras coisas possíveis de se pensar, mas que todas tem algo em comum: modificar o olhar sobre os animais, modificar o modelo utilitário, a reificação e passar a ver neles indivíduos com identidade e direitos.

Acredito que todas estes itens e muitos outros que virão podem ser alcançados com uma manifestação pacífica que abra diálogo e produza mudanças permanentes. Palestras, conversas, folhetos, filmes são estratégias possíveis de abrir este diálogo.

Em quarto lugar creio que apesar de ter um estilo bem definido de ação, a intenção é de que os “ativismos” sejam ações inclusivas, ou seja, que possam agrupar diversos grupos de diversas frentes para completar um grande quadro de ativismo que somados atingirão a causa da libertação animal ou abolicionismo animal. Alguns ativistas são mais mandões, outros mais malucos, outros mais caretas, outros mais facebooqueiros e não posso concordar quando as pessoas perdem tempo criticando umas às outras. Uns deixam de participar de ações porque tal pessoa que organizou, porque tal pessoa é muito possessiva, porque algumas pessoas deixam que a fama suba a cabeça e se torne algo maior que a causa. Creio que as pessoas que estão no veganismo buscando fama, poder ou sei lá o que podem ser alimentadas na sua gana desde que aqueles que praticam as ações junto com eles mantenham o foco nos resultados que é aproximar a sociedade como um todo da libertação animal. Então que fique claro que apoio a união de diferentes grupos, pessoas e pontos de vista para a ampliação da força do movimento. Na prática significa que quando você estiver reclamando de algum ativista por ser muito “isso” ou “aquilo”, o melhor pensamento para se combater o desânimo nessa hora é acreditar que é muito bom que haja diversidade de pontos de vista para que a causa atinja diversos grupos de pessoas.

Em quinto entendo que num mundo onde a maioria esmagadora se alimenta de carne precisamos de um plano estratégico para divulgação da ideia, dos conceitos que ainda são desconhecidos, dos novos hábitos e que isso deve ser pensado e planejado coletivamente por todas as pessoas interessadas em dar andamento à causa.

Sexto: nem sempre as pessoas saberão definir e defender o veganismo em seus conceitos e teorias. Há frequentes críticas sobre que as pessoas são “sentimentais”, que apelam para emoção, que isso e que aquilo. E se nós formos parar para pensar, se cada um de nós der a sua resposta do porque não devemos roubar, do porque devemos casar com quem amamos vamos encontrar respostas tão diversas quanto for possível imaginar. Apesar de vivermos em uma sociedade que se julga baseada em leis específicas, as leis não são tão rígidas na prática uma vez que apesar de as pessoas não saírem roubando por aí, a explicação que elas darão para não roubar será bem diferente da de um advogado. Com o veganismo não é diferente. Existe uma gama de interpretações para o conceito e precisamos encontrar na prática as pessoas com quem sentimos afinidade e isso significa que nem sempre haverá um acordo teórico. A libertação animal pode ser traduzida em palavras, mas na verdade ela é tão complexa quanto o amor, a filosofia e tantas coisas abstratas. Ela está entre aquelas coisas que muitos dizem ser fácil de entender e difícil de explicar.

Sétimo: A luta contra a exploração animal significa abandonar o modelo exploratório e reificante (coisificante). Como nós seres humanos somos vítimas de nós mesmos, isso implica que nesta luta pelo abolicionismo seremos juntos libertos da opressão de nós mesmos. A opressão que nós homens nos apresentamos é bem diversa da dos animais por não comemos outros seres humanos, mas estamos em um nível de degradação semelhante. Um ser humano pode tranquilamente pisar em outro e ser bem visto pela sociedade. Esta condição que tem nos colocado uns contra os outros cairá junto com a libertação animal que será a libertação de todos os seres: animais, vegetais e minerais. Algumas pessoas vão rir ao ler “minerais”, porém quando a libertação atinge sua compreensão máxima descobrimos um grau de conexão com o universo que nos torna moralmente responsável pelo todo em qualquer época.

Como já disse, já fui criticado e creio que sempre serei por conta dessa minha opinião. E peço que não deixem de me criticar porque nas críticas tenho encontrado a explicação para tudo que penso que muitas vezes é difícil de dizer e explicar.

No mais sugiro a todos que reflitam quais as melhores ações e encontrem cada um o próprio caminho. Há um caminho único que encontramos. Um caminho que não está escrito em livro nenhum e que nunca foi dito. Quando estiver diante de muitas opções e nada corresponde ao que você pensa, então significa que nesta hora você encontrou o seu caminho.

É isso

Por Beto do Planeta Ideal

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