Humanos Contra os Animais

Afinal, o que nos separa dos animais? Nossa aparência? Nossa genética? Nossa psicologia? Vou caminhar aqui por alguns caminhos filosóficos com o intuito de aprofundar a reflexão sobre quem são os animais.

1) A separação pela aparência: A primeira impressão que temos dos seres do planeta  é visual. Macacos são diferentes de humanos, que são diferentes de baratas, que são diferentes de coelhos. Há uma diferença visual. Quando o biólogo começou a ter um olhar evolutivo para as espécies ele então observava que pela aparência um macaco se parecia com um ser humano. Que uma raposa se parecia com um cachorro e entendeu que fazendo estas analogias físicas teria uma boa diferenciação das espécies.

Com a chegada da genética alguns animais que eram parecidos com uns e diferentes de outros, pela análise visual estavam claras as linhagens. Porém, por vezes, a partir da análise genética percebeu-se que essa regra visual não era muito confiável, que algumas vezes podíamos errar. Quando vemos um ser humano e um rato pensamos que eles são completamente diferentes, afinal o tamanho, a forma e tantas outras diferenças físicas são gritantes. Porém os cientistas afirmam que nossa genética é 90% igual a do rato. [¹] A partir daí quando um cientista via alguém falando que um animal era evolutivamente próximo de outro a primeira coisa que ele queria ver era o mapa genético para ver a semelhança do DNA, por ser mais confiável uma vez que o DNA provou ser capaz de gerar animais tão semelhantes e tão diferentes ao mesmo tempo.

Com este pilar da “aparência física” abalado, podemos começar a repensar e lembrar de um filósofo Wittgenstein que dizia que um leão não conversa com um humano não porque não pode falar, mas sim porque somos universos diferentes que precisariam de um interprete para se comunicar. Em função disso vamos para o ponto dois:

2) Quando seres fisicamente diferentes quebram a barreira visual: É interessante perceber que nós atribuímos força ao homem e emoção à mulher. Razão ao homem e paixão à mulher. E nisso surge um clássico dos casais humanos que é o homem que manda na mulher. Chamar homem de homem e mulher de mulher está relacionado com a diferença “visual”. Homens tem pênis, mulheres tem vagina entre tantas outras diferenças. Porém vamos nos deparar com casais “ao contrário”, em que mulheres mandam nos homens. E podemos perguntar: será que a diferença visual está acima da psicológica? Será que o que nos define é a aparência ou são as coisas que fazemos? Ou seria uma mistura? Ou seria outra coisa que não sabemos?

O leão olha para o homem e pensa que ele deve se defender ou que pode ser uma fonte de alimento ou pensa alguma coisa que apenas leões pensam. Porém um filhote de leão criado desde criança com humanos pode considerar o humano um eterno amigo. E ainda que ele aprenda a caçar outros seres, considerará estes humanos amigos. Veja o vídeo:

O que acontece então que certos animais humanos e não humanos quebram a barreira visual e estabelecem uma nova ligação baseada em amizade, carinho e confiança?

3) Animais diferentes e a comunicação: Quando os animais quebram a ideia de dividir o mundo visualmente eles encontram um mundo em comum entre várias espécies e então percebemos que não há na natureza algo que defina quais animais devemos ser amigos e quais não. Quebrar a diferença visual nos prepara para um novo caminho. Podemos criar um outro tipo de separação ou podemos abolir a separação.

4) O surgimento da inteligência evolutiva: Quando se pensa em evolução significa que assim como o corpo de um macaco se tornou de um ser humano, o pensamento foi se alterando a cada corpo que possuiu, porém ele sempre manteve a mesma base. Um macaco desperta para a vida em um corpo de macaco com os mesmos princípios que nós humanos despertamos quando bebês para nossas vidas. Somos extensões de um mesmo ser que vem se modificando ao longo dos anos. As diferenças que vemos são expressões de corpos diferentes, porém de um mesmo tipo de consciência que é desperta em cada organismo que nasce no planeta. [²]

5) A comunicação animal. Quando as espécies por fim estabelecem um novo olhar umas para as outras, quando a comunicação começa a surgir, cria-se um novo padrão de espécie. Quando o urso polar brinca com o cachorro, quando a gata adota os filhotes de esquilo, quando o homem cria-se com o leão, em todos os exemplos houve uma ampliação comunicativa. Agora o leão protege a si e ao seu amigo humano. Esta comunicação pode ser estimulada ou intencionalmente evitada. A ideia de evitar se baseia no fato que quando a comunicação afetiva se estabelece, não mais é possível ver o outro ser como alimento, como produto, como objeto, porque ele se torna seu amigo, se torna um animal a ser respeitado. E neste sentido a comunicação com os animais tem sido vista como uma grande emboscada. Se eu reconheço nele o direito à vida, perco o direito de usá-lo em meu benefício.

6) O despertar para a nova interpretação da vida: A ciência hoje nos fornece dados diferentes dos que nossos antepassados tiveram. Está na hora de atualizar nossa compreensão da realidade para uma forma de agir mais coerente com nosso conhecimento atual. Animais humanos e não-humanos são uma mesma família de filhos que nasceram neste planeta e que por alguma razão no passado, iludidos pela visão,  competiram uns com os outros. Agora é o momento de cooperar.

Fica aqui um vídeo com o intuito de apresentar o lado brincalhão, amistoso, carinhoso dos animais não humanos que nos “esquecemos” na hora de justificar que devemos usar animais como produtos. Bom vídeo:

É isso

Beto do Planeta Ideal

[¹] Pesquisadores lembram que humanos e ratos compartilham 90% dos genes http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,cientistas-criam-novo-mapa-genetico-do-cerebro-de-ratos,763554,0.htm

[²] A Declaração da Consciência da Cambridge
http://vfloripa.wordpress.com/2012/10/01/191/

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One response to this post.

  1. Posted by Tallyta on 16/10/2012 at 8:06 PM

    Adorei a postagem, excelentes argumentações, parabéns! Estou rumo ao veganismo! \o/

    Responder

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