Sou Mais Feliz Por Ser Vegano

Frases como “sou mais feliz por ser” isso ou aquilo são sempre polêmicas. As pessoas não gostam de associar felicidade com as coisas porque a felicidade é um sentimento abstrato. E realmente é. “A felicidade é um estado imaginário” dizia o poeta. Então vou falar sobre este lado abstrato da felicidade que se alterou quando me tornei vegano.

A felicidade na alimentação está além do prazer daquilo que nós comemos. Imagine aquele jantar a dois que você preparou a melhor comida do mundo, convidou aquela pessoa amada, decorou toda a casa, preparou tudo perfeitamente e na hora do jantar a pessoa não aparece. Então você recebe uma mensagem no celular avisando que a pessoa não pode ir porque tinha outro compromisso. A comida que antes seria perfeita agora terá o gosto amargo do descaso, da falta de consideração, da frustração. Não será a mesma coisa, não terá a mesma graça. E a pessoa frustrada irá comer sozinha com garfadas lentas, com o pensamento triste, com os olhos baixos. O prazer de comer é algo muito mais amplo que simplesmente a comida.

Da mesma forma um pirulito daqueles que deixa a língua roxa, se for um presente sincero de uma criança, irá transformar aquela bolinha de puro açúcar em algo especial.

A gente não pára pra pensar nestas coisas enquanto come. Mas nós sentimos tudo isso mesmo que não pensemos sobre.

Todos nós sabemos que há animais sofrendo, mas não pensamos sobre isso. Não conversamos sobre isso. A pessoa come carne e não se importa. Porém como eu disse, a gente PENSA que não se importa.

Nossos sentimentos são algo maior que nós mesmos. Se a gente tenta não sentir raiva quando está sentido, não sentir amor quando está amando, vamos perceber que não é possível. O sentimento tem uma forma complexa que o faz surgir e desaparecer.

Isso significa que por mais que uma família que coma carne e nunca se questione nem converse na mesa sobre porque comer carne, os sentimentos destas pessoas sem elas saberem é de contradição. Porque no fundo dos nossos pensamentos a carne está associada à um animal que foi morto e no mesmo fundo dessa consciência tem algo dizendo que isso é errado.

Esta conexão inconsciente irá despertar no dia em que a pessoa deixa de se alimentar de animais. Ela perceberá que isso estava lá e ela não sabia.

Neste mesmo dia surgirá uma satisfação que ela também não sabia que existia. O prazer de praticar o bem, de fazer algo pelos outros. Estamos todos acostumados a pensar no prazer do sexo, no prazer de comer, prazer de viajar. Quantas vezes falamos do prazer de praticar o bem aos outros? Ajudar os outros é sempre visto pelo lado de “o que vamos perder para ajudar alguém”. E também do “de tentar ajudar posso acabar me prejudicando”. E estes dois pensamentos transformam o bondade em doença.

“Quando querem transformar dignidade em doença
Quando querem transformar inteligência em traição
Quando querem transformar estupidez em recompensa
Quando querem transformar esperança em maldição”
Legião Urbana, Duas Tribos

Praticar o bem aos outros dá uma sensação de “plenitude”, de segurança, de paz. Porque? É fácil entender. Quando uma pessoa causa mal à outra ela sabe que virão atrás dela cobrar pelo que ela fez. Da mesma forma quando uma pessoa faz o bem ela sabe que atrairá o bem. Se ela praticar o bem, ela saberá que há pessoas como ela no mundo que também praticam isso gera em nós otimismo. E mesmo que ela seja egoísta em querer praticar o bem para os outros pensando apenas nos benefícios que poderá ter com isso, de todos os tipos de egoísmo esse é o mais inteligente, um egoísmo consciente.

A felicidade na alimentação está além do prazer daquilo que nós comemos.

A felicidade na alimentação está além do prazer daquilo que nós comemos.

Mudar o próprio hábito de vida em benefício dos animais despertará também o sentimento de que é possível mudar o mundo, melhorar o mundo, trará esperança. Quando você mesmo muda, você tem a certeza que todos podem mudar.

Quando juntamos estes pontos todos surge uma pessoa vegana orgulhosa de si mesma, um orgulho positivo, real e verdadeiro. E quando o organismo, o nosso corpo, percebe que estamos felizes ele funciona melhor, ele quebra as tensões musculares que nossos medos e contradições criaram, ele começa a fluir.

É uma liberação ampla e profunda dos sentimentos de paz, liberdade, gratidão, bondade condensados em um prato de comida.

E nesta hora aquela cenoura, aquele alface que a pessoa que come carne considera a coisa mais horrível de comer, nesta hora um simples alface se transforma em uma densa e intensa compreensão profunda do ser humano, dos animais, do planeta e do universo.

É isso

Por Beto do Planeta Ideal

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3 responses to this post.

  1. Posted by Maria José Nia on 24/11/2012 at 4:29 PM

    BLZ de matéria!!! É isso aí…, ser vegana está ligado a uma paz infinita e sem culpa.
    Abçs

    Responder

  2. Posted by Clarissa Kremer on 09/05/2014 at 11:47 PM

    Gostei de ler isso pq me identifiquei bastante. Desde o dia 23 de fevereiro eu decidi parar de consumir produtos de origem animal, escolha essa que me traz muita paz e satisfação, por saber que estou evitando o sofrimento dos animais.

    Responder

  3. Posted by Mirella Sá on 19/12/2014 at 1:28 PM

    Eu ainda não sou vegana porque decidi deixar o veganismo acontecer naturalmente. Comecei por carne e frango e agora, leite. Pensei que o processo fosse ser mais lento, mas uma vez que dei i primeiro passo, senti uma paz e uma alegria… nossa… um bem estar constante. Acho que agora sim eu estou caminhando no fluxo natural do meu corpo, mente e espírito. Sem barriga inchada e sem enxaquecas e com o coração recheado de paz!

    Responder

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